Mugler Primavera Verão 2026

Mugler Primavera Verão 2026 “Nova Era” – estreia Castro Freitas. História de Eleonora de Gray, Editora-Chefe da RUNWAY REVISTA. Foto cortesia: Mugler.

Há estreias que tropeçam, e há aquelas que impressionam com convicção. A primeira coleção de Miguel Castro Freitas para a Mugler — Primavera/Verão 2026 — foi a última. Afiada, estruturada e assumidamente inteligente, marcou o momento preciso em que uma casa lendária virou a página seguinte.

Apresentado em um estacionamento subterrâneo brutalista no agitado 11º arrondissement de Paris, o local foi uma escolha deliberada: escuro, industrial e repleto de nuances flamengas dos anos 1990. Uma referência, talvez, a Antuérpia — onde Freitas aguçou seus instintos de design — e aos desfiles conceituais do final dos anos 90, que mesclavam moda e arte com uma clareza implacável.

Mas o espaço não era a estrela. A coleção era.

Desde o momento em que o primeiro look saiu, ficou claro que não se tratava de um primeiro rascunho hesitante. Castro Freitas chegou preparado. Ele não revisitou apenas os arquivos Mugler — ele os entendeu. Ele traduziu a alfaiataria ampulheta característica de Thierry Mugler, os ombros poderosos, os quadris, a sensualidade despretensiosa — para um vernáculo moderno de 2025. Os excessos hipercromáticos se foram. Em vez disso, Freitas escolheu uma paleta discreta: cinza concreto, creme e bege empoado, reminiscente do antigo pó facial francês. Não foi apenas um aceno ao passado — foi uma redefinição deliberada de tom. Bem-vindos à era bege de Mugler. E sim, funciona.

Não era nostalgia. Era restauração.

Freitas se aprofundou no artesanato outrora reverenciado da casa, trazendo de volta o trabalho manual com uma perspectiva moderna: corpetes com joias, porém foscos; penas, porém esculpidas; um casaco volumoso de marabu inspirado nos anos 1940, porém sem excessos. Pense em Joan Crawford em Mildred Pierce, passado por um filtro belga. Um motivo de roseta floresceu em couro preto com um decote inflado como um gesto arquitetônico — algo entre o desafio e a devoção.

Não havia como negar a influência cinematográfica. Freitas reconheceu abertamente que encontrou sua base na Era de Ouro de Hollywood, mas os resultados foram tudo, menos figurinos. Eram peças para mulheres que não brincam de se fantasiar — elas chamam a atenção. Particularmente memoráveis ​​foram os vestidos transparentes salpicados com as icônicas estrelas prateadas de Mugler, os vestidos de couro justos com seus decotes inflados e um terninho dourado reluzente com luvas embutidas diretamente no paletó. A lendária teatralidade de Mugler não se perdeu — foi recalibrada.

Sim, havia bodies. Sim, havia estrelas. Sim, ainda era Mugler. Mas também era nitidamente Freitas.

Ao contrário de outros que lançaram seus nomes em casas tradicionais nesta temporada, Freitas não perseguiu a juventude ou as manchetes. Sem truques, sem viralização forçada. Apenas um design arquitetônico metódico. Mugler, sob sua liderança, agora fala uma nova linguagem — ainda cinematográfica, ainda sensual, mas elevada, editada, precisa.

E, no entanto, isso é apenas o começo.

Sim, Mugler voltará a desfilar em tapetes vermelhos — aqueles bodies com estrelas prateadas e vestidos esculpidos são feitos para isso. Mas o que é realmente empolgante é o potencial que se avizinha: se é isso que Freitas entrega com a pressão de uma estreia, só podemos imaginar o que vem a seguir quando as rodinhas pararem de funcionar. Uma esperança permanece — que em temporadas futuras, Freitas possa sair das sombras, literalmente. Embora o clima do local tenha servido ao seu propósito conceitual, seu Mugler merece luz. Porque este não foi apenas um novo capítulo.

Era uma nova era. E ela já começou.

Ver todos os looks Mugler Primavera Verão 2026



Postado de Paris, Quartier des Invalides, França.